quarta-feira, 11 de maio de 2011

1964

Estilo franco, escondido e esmagado.
Repressão insolúvel de dias alongados.
Redução libertária enroscada no ser.
O toque de recolher é tapa que dói na disciplina e na harmonia.
É a desordem do medo,
o crepúsculo ludibriante que engana gente e desemboca na desilusão do amanhecer.
Nas mesmas noites mentirosas, há esconderijo, há coragem.
São 'Salons', são vidas de um subsolo.
A causa não vence, é buraco.
Há quem faça a voz de uma nação com toda a certeza de acabar na forca,
motivado com o intuito de poder respirar dignidade.
É mais do que a própria alma pode descrever,
mais do que uma religião pode explicar.
É a fonte da crença e da força,
é um direito divino do além original...
Deus, pátria e trabalho,
nossas divinas instituições que são evocadas por puro formalismo.
É a ordem subversiva e intolerante
que mantém um Regime: desenhista de grandes movimentos.
Maturidade que vem de uma surra cruel...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Whisky com Gelo.

O cigarro caindo da boca, ao lado
Deixava mostrar sua falta de cuidado
Entre a fumaça que cobria seu olhar.
Mil ideias voavam numa sala escura e abafada.
A poltrona que causava dores na coluna inferior
Não saia da perspectiva do ambiente:
Continha cinzas, restos de comida e muitos anos de existência.
Sua sala não era de toda suja,
Mas sua mente era.
Em frações de segundos ideias assassinas preenchiam os espaços insanos.
Em assunto de ação sua mão e seu corpo se cansavam e nada faziam.
Seu destino era pensar.
O copo de whisky por entre os dedos alimentava o passado.
Lembranças de putas com quem estivera em outros tempos
ajudavam o masoquismo frio perpetuar-se com veemência.
Era sujo, mas era vida.
Agora só restava seu assento em um cômodo qualquer.
Seu ar vinha do tabaco.
Seus movimentos eram mínimos e calculados.
Seus pensamentos enojavam os deuses que os sentiam.
Não saiu de uma morta vida,
Porém, o telefone tocou.
Com o corpo levantou-se e entre o labirinto da casa e a labirintite da cabeça
Seguiu cambaleando com dificuldades para respirar.
Atendeu e falou.
Sua ação estava feita.
Sua vida estava morta.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"Armas Químicas"

Prosaico e constante,
Pleonasmo vicioso,
Rotina indiscreta.
Ventos ressoam  no
ouvido da sociedade
Que preocupada refugia-se
sobre a hipocrisia
escondida nos sorrisos
de canto de boca.
Maliciosos? Talvez...
Haja língua para narrar
comportamentos.
Haja sociologia para
explicá-los todos eles.
É tamanha burrice
Que monta o acervo
do meu pensamento
Que a cada nova descoberta
Uma derrota sob
o infinito é consentida.
Há tanto tempo
Há tantos planos.
Qual é a lógica do sistema?
Quais motivos escondem
os erros mais fatídicos?
A grande falha do estado:
Fazer o mal intercalado.
Adiando o bem futuro
Para as teorias de Maquiavel.
Erro insistente.
Aprendizado indigente.
Violência que não altera
o estado da alma devera
apropriada dos mais capciosos
segredos da mente fúnebre.
O que diziam os poemas?

sábado, 25 de dezembro de 2010

Efeito.

Queria conseguir ser
Um par tão perfeito
Quanto Vinicius e Tom,
Yoko e John.
Ter a sutilidade que ressoa
Nas palavras de Pessoa
Com o estilo certo
De Álvaro, Ricardo e Alberto.
Ai, quem dera me espelhar
Nas memórias de Miramar
Que o Oswald não deixou escapar...
Não permitir que o tempo avelhaque
A beleza das telas de Georges Braque
Sentir a liberdade que se suprime
Na melodia do Lenine.
E então poder perceber
Que a vida jamais poderia ser
Uma aventura insana
Quando se tem Dylan, Machado e Quintana.
Pois apesar das desventuras
O cotidiano segura
Toda a arte que não se apura
Num piscar desatento de uma mente qualquer.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Questão de Opinião

“Lágrimas não são argumentos” Machado escreveu,
Seriam elas, símbolos ou gotas sem apogeu?
Chaplin insistiu: “Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.” Serão elas, agora, combatentes da dor?
Já a depuração de Vinicius dizia: “Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia.”
Tornaram-se primazia de uma arte de plena alegria?
Para Alexandre Herculano: “As lágrimas de piedade consolam quando é um amigo que as derrama.” Serão, então, argumentos? Motivos de amizade e acalento?
Shakespeare com sua escrita hiperbólica não deixou escapar de suas definições as lágrimas sem limitações. “O amor (...) é um mar de lágrimas de amantes”. Outro significado, não ainda revelado: Seriam as lagrimas marca de um pecado? Ou condições apaixonadas de um legado?
Mas as lágrimas derramadas saem do dilema,
Quando Pessoa ousa escrever seus inúmeros poemas.
Sua conclusão, não obstante, rendeu tamanha repercussão
Que pode, então, definir todo o esquema da ocasião:
“ Tudo vale a pena se a alma não é pequena”, até as lágrimas de uma presunçosa nação.


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Maravilhosa?

Incessante.
Demasiado berrante
Aflora primavera diamante
Tão ausente de luz,
Tão presente de luta.
Fez-se o rodear ondulatório
da rotina promitente:
Invento de palavra rude,
adúltera e ladra de virtude
Que forma a cerca seca
sufocando o irrespirável.
Afável e lamentante:
Corriqueirismo assaltante.
Bruma negra,
Símio hipócrita insustentável
Tão constante, tão mutável.
Marca do plúmbeo negro que rasga o céu
que jura a paz austera,
que traz a paz mísera.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Citereia

Acordo toda manhã
Só para olhá-la ao meu lado.
Teu segredo foi fatal...
Dilacera os meus dias
Desejando as manhãs.
Não nego sua beleza durante o dia,
Mas são nas manhãs que meu corpo e minha mente reapaixona, reapaixona, reapaixona.
Quem diria eu ser prisioneiro da beleza de uma mulher?
Um boêmio aventureiro
Preso à egoístas devaneios.
Jamais imaginei amar somente uma. E que uma...
Seu cabelo desalinhado,
Armado levemente como um felino arrepiado
É contornado pelo sol que reflete meu olhar

A melhor parte é que posso tocá-lo, acariciá-lo 
Policiando-me para não alterar a forma original.
Os olhos semi cerrados traz todas as cores do mar:
O esverdeado aquoso das águas mais puras;
O azul intenso refletido ao céu limpo;
Entretanto, o cinza áspero e angelicalmente malicioso das tempestades litorâneas.
Ah... Esse olhar que me seduz.
No início, nas primeiras manhãs, assustava-me. 
Todos aqueles tecidos gregos envoltos na Vênus mais bela dos reinos.
Sua boca, seca, avermelhada escondia o sabor da manhã que insistia em beijar-me.
Jamais teria forças para, um dia, afastá-la.
Sua pele em cor homogênea e pálida trazia a perfeição e o mistério das esculturas mitológicas
Exceto pela temperatura: Ao invés de gelada e petrificada é quente e convidativa.
Vejo-me diante daquele corpo,
Que nunca serei o dono.
Contudo, o fado que serve é em demasia satisfatório.
Sua assaz sutileza serve como uma droga, um vício
De tê-la e vê-la por todos os dias que a lua partir e trazer o sol
O meu sol
Tão belo, tão vivo, tão quente, tão dela...
Tão quadrado. 

Oscar Bernardes

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Feriado

Solidão.
Essa é a farda que me serve.
Um destino enfadonho e frívolo
que não contempla igualdades.
Sozinha:
Como uma melodia que toca ao som de uma boca alheia.
Tão alheia e quase imperceptível
onde os gritos de socorro não são ouvidos
pois são aceitos.
Visto o que me serve
e assim sigo só. Só e tão só.
Como um destino manifesto fincado em minh'alma,
Como um diamante errante na mão de uma viúva amarga.
Vejo o som que nunca cala.
Ouço o cheiro que me cheira.
É quieto. É curto. É longe.
Estou, não estou?
Sou, não sou?
Sei lá. Quem sabe?
Hoje: sozinha.
Amanhã serei eu com o ser Sozinha.
E assim incessantemente:
Sozinha e eu,
Eu sozinha.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Galanteio;

Anseio louco que vara a mente,
Palavras túrgidas que saem dela.
Entre a insanidade e o desespero
Quase posso ver
O grito que se esconde na noite:
Áspero, negro e amargo
Que cala os olhos em um breve
Sussurro bravo que impõe a malícia
Ou suspiro longo que lamenta o medo.
Meche. Implora. Prende.
Não reage aos anseios ludibriantes
Que enganam os movimentos.
O desejo do fim não é tão sedutor
Quanto a promessa de tentativa.
Luxúria plena: Irresponsável-Responsável.
Interpretação vã que não amplifica razões.
Intuito desperdiçado pela conquista alheia.
Relação quebrada. Futuro misterioso
No íngreme caminho
Que cansa os olhos em um breve
Arfar de pensamentos.



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"Desescandalizante"

Ausentar-me-ei,
Pois a ausência cabe a mim
E não aos outros.
Distanciar-me-ei dos dias corriqueiros
que somam realidade à utopia minha.
Por que no silêncio faz-se reflexão
E reflexão grita atenção.
Se esta vir a falhar,
Falharei inteira.
Ocupar-me-ei com a mais bela
Arte do silêncio.
Manter-me-ei quieta,
pois ouvir satisfaz.
Silencio-me hoje,
Pois, posso vir a gritar.
Estou hoje alguém,
que amanhã não vou estar.
A voz não é oprimida,
é opção.
Se voz ecoa pensamento
Então silêncio não pensa?
A massa grita.
A massa briga.
A massa pensa.
Poucos se aquietam
Não pensam?
Não pensam?
Erro eventual.
A utilidade proporcional
Dos sentidos faciais
É explicação racional.
Irracional-Racional.
Sem mais, aquieto-me.

sábado, 23 de outubro de 2010

Parque de Diversão

Já não consigo mais escapar
dos meus devaneios inebriantes.
Aproxima-se de um labirinto interminável
ou um rua sem esquina.
Tento não pensar em nada
Mas o nada já é tudo
E tudo é o bastante:
Manter-me-ei distante, silenciosa.
Os conceitos da Filosofia, história e postura
furta toda a comportamental censura que
mantinha a razão como o único e equilibrado padrão.
Já não é mais certo: Dúvida.
Já não é mais reto: Curva.
Penso no que penso
Não porque quero pensar.
Tudo me é imposto, obrigado. Mentora? Alma.
Minhas mãos sangram a cabeça
Querendo furtar aquilo que não deixa,
Aquilo que enlouquece.
A insana decisão da reflexão,
Insano roubo do mundo,
da esperança, da expectativa, da opinião.
As minhas expressões já não me traduzem, já não me enganam.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ensaio Vasto Sob Delírio

São os bueiros sujos
Que lavam as bocas da 
Infame sociedade
Com podridão e mau cheiro


Só ironia perversa
Que atinge os ouvidos
Em sons caóticos e 
Gritantemente furtivos


Essência é falsidade
Nos olhos arregalados:
Vê-se somente o desejo


Os moldes sempre mudados
São rabiscados retratos
Do homem robotizado


sábado, 2 de outubro de 2010

Dissuasão;

O olhar era estupendo, como de quem analisava e julgava tudo o que via. Era desconfiado e limpo.
Os olhos não se serravam, pelo contrário, esticavam-se mantendo a pupila ao centro dos olhos.
Uma sobrancelha levemente erguida alimentava o ar de investigação.
Seu olhar trazia certezas e inestimáveis dúvidas. Uma segurança extracorpórea quando na verdade a insegurança era coberta pela negra íris que caracterizava o mais doce e severo olhar.
O que ele procurava? O que ele queria encontrar?
A insatisfação tornava a feição desestabilizada, assim como o segundo que antecede o bote de uma cobra.
Sem mais, sem final, sem voz.
Silêncio e decepção.
Nada ocorria.
Seria a minha incapacidade de interpretação? Seria algo que não conhecia? Seria eu, um antagonismo? Essas perguntas assolavam o espírito.
Incerto. Inquieto. Fúnebre.
Afável? Porque não? Se o espelho em minha frente denunciava a minha grande falha de percepção...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

"Sereníssima"

Era um mundo de sensações.
O arrepio, como resposta do sistema nervoso, estimula cada centímetro do corpo que se estica tentando romper os limites da pele.
E o espaço fez-se pequeno, e tudo era passagem. Só valia o momento.
Fechando os olhos, mil lembranças atropelam a mente e sem criar vínculos vê-se a inestimável importância de viver.
Quando o corpo descansa não há movimento. Não há recompensa. Ou não, isso tudo é recompensa. 
No silêncio e no escuro a respiração incontrolável torna-se um incômodo, torna-se alta, torna-se orquestra. O ruído que o ar faz ao invadir os pulmões pode ser o suficiente para romper uma intensa linha de pensamento.
Assim não é possível! A morte talvez seja silenciosa. A morte é! Ela aquieta a respiração e rompe a corda de pensamentos. E tudo vira nada, e nada vira tudo. 
Há quem viva a vida com morte, porém, há quem viva com vida.
Estar vivo não é promessa de vida.
Captar o mundo das sensações é uma promessa de vida, e essas sensações são muito mais do que cinco unidades corporais. 
O arrepio cessa. A calmaria reabsorve o corpo que se fez vivo pela mais intensa arte de conhecimento: a ereção articuladora dos dons sentimentais. 

"Nua, mas para o amor não cabe o pejo" Olavo Bilac 

sábado, 25 de setembro de 2010

A chuva do sexto dia.

Dedicação, cansaço e trabalho infelizmente
não são sinônimos de qualidade...
É a injustiça em sua forma mais primitiva,
englobando a mais intensa arte da natureza:
O homem.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Brilho eterno de uma mente sem lembranças;

Inconsciente, Inconseqüente:
Risca e trisca  o fogo imenso
Dentro de um mundo sem senso
Que mata e reprime as perspectivas
Lidas, tidas e mantidas, um dia, como o centro.
Era uma vez...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quem sabe?

Se me perguntassem se acredito em Deus,
eu diria: Não sei.
Se me perguntasse se eu não acredito em Deus,
eu diria: Não sei.
E essa ausência de definição
Não atinge o ego da minha curiosidade.

domingo, 19 de setembro de 2010

A caverna'

Finjo a complexidade em mim
A cada parte, sem beleza, sem arte
Milhões de curvas mal direcionadas
Compõe um íntimo vazio e perdido

Não quero ser vazia.
Não posso ser perdida.
Concentro todos os meus sonhos.
Quem lê, lembra-se de todos os sonhos que nunca tive

Busco. Não entendo.
Não consigo ser mais, mas sou tudo.
Procuro por todo um caminhar
Um grito de compreensão a se concretizar.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010


É como a paixão: quando tudo pode se transformar no mais requintado suspiro de satisfação.

sábado, 11 de setembro de 2010

Insanity tasty;

O seu jeito trivialmente eloqüente 
Esquenta a alma: dona dos olhos observadores que queimam ao pecado seu.
Inocência não havia,
hostilidade sã, encoberta por vagarosa sedução proposital. 
Instintos nervosos colaboravam para arder chamas infiéis que dissimulavam o ente peculiar.
Uma insanidade saborosa.
Delicadamente ligada à instabilidade fácil que recheia o bote saudável do desejo.
‘teus sóis me acendem logo a chama e chamam’.